segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Obama na minha sala de estar.


Há uns dias ouvi um colega meu dizer: “Qualquer dia desses vou sair de casa e me deparar com Barack Obama na minha porta.”
Realmente. De uma hora pra outra o mundo só tinha olhos e ouvidos para ele. E por quê? Fomos induzidos a pensar que os EUA estavam se redimindo pelo quadro crítico de racismo que sua história carrega. “O primeiro presidente negro da história.” A imprensa quase o consagrou como “the new Martin Luther King”. E aí eu continuo me perguntando... Por quê? Será mesmo que a imprensa está preocupada com a desigualdade racial? Há, há, há ! Quem não a conhece que a compre! A campanha do nosso querido Martin, quer dizer, Barack, foi infinitas vezes mais rica à de qualquer outro candidato! O que questiono aqui é o comportamento da mídia. Há um objetivo para ela consagrar Barack Obama. E, apostem, não tem nada a ver com o fato dele ser negro. Muito pelo contrário! É aceitável o interesse da imprensa americana sobre Obama, tratando-o como brinquedinho para limpar a barra de país racista. Mas, e a brasileira? O que tem a ver com isso? Nosso país tem uma população negra muito grande, por que não encorajá-los? Porque não fazer nossa população se sentir como Obamas? Uma farsa, claro. Mas serve para acalmar a massa, manter-nos calados e confortáveis. Sem Obama ou com Obama nosso país continua na merda! Está na hora de pararmos de nos preocupar com a vida do vizinho e olhar para os muitos problemas que enfrentamos. Já sabem, macaco que não olha pro rabo...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"No que Acredito"

"Acredito que quando morrer apodrecerei e nada de meu ego sobreviverá. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenharia estremecer de pavor diante do pensamento de aniquilação. A felicidade não deixa de ser verdadeira porque deve necessariamente chegar a um fim; tampouco o pensamento e o amor perdem o seu valor por não serem eternos. Muitos homens preservam o orgulho ante o cadafalso; decerto o mesmo orgulho deveria nos ensinar a pensar verdadeiramente sobre o lugar do homem no mundo." (Bertrand Russell)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Liguem a luz !



O que você vê é o que a imprensa quer que você veja!
Democrático, não?!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Refletindo

Ônibus lotado, ao meio-dia, engarrafamento. Voltava pra casa da faculdade nessas circunstâncias quando vi a seguinte situação: uma mulher já com seus 60 e poucos anos, em pé ao meu lado, segurava-se nos ferros enquanto o ônibus sacolejava de um lado pro outro. Vendo isso, um rapaz se levantou e cedeu seu lugar a ela. Na mesma hora pensei: “Nossa, que gesto bonito”. Mais sacolejos, empurrões e tropeços. Dei por mim. “Gesto bonito?”. A mulher já era uma idosa. Não foi um gesto bonito, foi quase uma obrigação. Ou pelo menos deveria ser. Um dever como cidadão. Mais um empurrão e refleti: “Que mundo é esse em que a gente se admira em ver boas maneiras?”. Se eu visse alguém jogar lixo no chão talvez eu não ficasse tão surpresa. Ou pisarem na grama. Ou um motorista ultrapassando no sinal vermelho. Ou alguém atravessando fora da faixa. E etc. e mais etc. Essa semana certo programa na rede Record de televisão passou quase a manhã inteira mostrando as pessoas que estão ajudando os desabrigados pela enchente em Santa Catarina. Sim, eu fiquei arrasada com a tragédia também! Acho ótimo que ajudem! Mas o fato é que é preciso uma lavagem cerebral para fazer uma população se comover e ajudar o próximo? Entrevistaram um rapaz que estava levando mantimentos para as vítimas. Por um momento eu quase o adotei como meu super-herói favorito, tamanho sensacionalismo para descrever o ato dele. “A população brasileira dá uma show de cidadania!”, dizia o apresentador do programa. Nós vivemos num mundo onde generosidade virou notícia? É tão raro ver uma pessoa se importar pelo próximo que gestos como esse são usados para aumentar a audiência? Inversão de valores. O que o ser humano se tornou? Eu queria ser um pato.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Auto-crítica

Estava em casa, navegando na internet e cuidando de uma prima, quando ela me pediu para que eu a deixasse usar o computador. Tudo bem, eu deveria estar cuidando dela e não batendo papo no MSN! Mas isso não importa. O fato é que uma criança de três anos me pediu pra usar o computador! Eu olhei para ela e disse que aquilo não era coisa de criança, que era pra ela voltar para quarto e brincar com as bonecas dela. Ela ficou ali, em pé, me olhando com aquela cara de quem vai soltar o choro a qualquer minuto e eu tentei acalmá-la:
-“Quando eu tinha sua idade eu brincava de boneca. O computador mal existia, e eu me divertia muito sem ele, vá brincar!”.
Ela retrucou me dizendo que queria jogar no site da “Barbie” e que só gostava de brincar disso. Eu fiquei abismada em como a tal da globalização conseguiu interferir na infância. Então onde foram parar as brincadeiras de casinha, pique – esconde ou amarelinha? “As crianças estão perdidas”, pensei. Enquanto eu imaginava a que ponto nós chegamos, ela continuava ali, batendo os pezinhos no chão, de um jeito mal-criado. Então eu disse:
-“Não vou deixar você usar esse computador. Não posso alimentar o que a tecnologia está fazendo com o ser humano. Nós precisamos nos desvincular dessas dependências!”.
Ela ficou ali me olhando, com cara de quem não tinha entendido uma palavra sequer. E eu sabia que não. Quando ela saiu choramingando eu completei:
- “Além do mais, todos os meus amigos estão online, preciso ficar aqui. E não tenho nada mais interessante para fazer”.